Ciência
Publicado em 18 de nov. de 2020 · Atualizado em 18 de nov. de 2020 · Leitura: 0 min
por Reprodução - Jornal O Globo

(Artigo de opinião publicado em 12/11/2020 no jornal O GLOBO)


Odir Dellagostin (Presidente do Confap), Prof. Fabio Guedes Gomes e Prof. Evaldo Ferreira Vilela (ex-presidentes do Confap). Foto: Confap


Sem financiamento público, não há pesquisa

Artigo de autoria de Odir Dellagostin, Evaldo Ferreira Vilela e Fabio Guedes Gomes, respectivamente, presidente e ex-presidentes do Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (CONFAP)

Emprego e renda são, sem dúvida, grandes preocupações de cidadãos e governantes em toda parte, particularmente para os jovens em busca de uma oportunidade. Desenvolver um cenário de uma economia forte para a manutenção e aumento das oportunidades e uma sociedade menos desigual passa, necessariamente, pela capacidade de lidar com as rápidas transformações do mundo moderno e suas consequências. Para isso, é imprescindível entender que essas transformações são impulsionadas, principalmente, pela geração e aplicação do conhecimento resultante das pesquisas científicas, que gera novos produtos, processos e serviços inovadores.

Neste contexto, é fundamental e estratégico o investimento dos estados em Ciência e Tecnologia (C&T) por meio das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (FAPs), cujos recursos se somam aos das agências federais: o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), a Coordenação de Aperfeiçoamento de Nível Superior (Capes) e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). Sem financiamento público, não há pesquisa e, consequentemente, não se desenvolve uma economia capaz de gerar e manter empregos e renda, além de garantir a soberania nacional.

A FAP de São Paulo (Fapesp), a maior delas, faz, ao longo de 60 anos, um trabalho exemplar com 1% da arrecadação líquida anual do estado. Financia, incentiva e articula a pesquisa estadual, gerando conhecimentos e talentos para o desenvolvimento social e econômico de São Paulo e do país. A Fapesp é o que é não por estar em um estado rico, mas por ser parte central do esforço paulista de gerar riquezas. Cortar seu orçamento é uma insensatez, porque diminui sua atuação na única área capaz de criar um futuro promissor para São Paulo e para o Brasil: ciência. Um abalo na atuação da Fapesp afetará a maior comunidade cientifica estadual e o maior ecossistema de startups do país e, ainda, pode estimular outros políticos insensíveis a fazer o mesmo em seus estados, um tiro mortal na ciência brasileira.

Enquanto isso, a tendência mundial para sair de crise é investir mais em C&T. Países que investiram e consolidaram uma comunidade científica articulada a um ecossistema empresarial orientado para o desenvolvimento proporcionam qualidade de vida e bem-estar para sua gente. Para acalentarmos o sonho de um Brasil mais igual e próspero, a saída é o fortalecimento dos nossos cientistas e educadores. É o que a Fapesp faz e as demais FAPs buscam alcançar. São Paulo teve, lá atrás, homens públicos com visão, que planejaram o futuro a partir da geração e uso do conhecimento, criando condições para que a Fapesp tenha hoje a capacidade de transformar C&T em riqueza. Temos um exemplo em casa, basta segui-lo. Esse processo não pode ser interrompido, sob pena de nos condenarmos ao atraso.

Hoje, sob a alegação da situação fiscal, governantes estaduais ameaçam e cortam investimentos em C&T, eliminando a possibilidade da melhoria econômica em seus estados. Essa perspectiva condena regiões e países à dependência tecnológica. Já não é possível cuidar de segurança pública, saúde e educação sem o uso, por exemplo, de sensores, inteligência artificial, Internet das Coisas, e é fundamental que esse conhecimento seja, pelo menos parcialmente, produzido por cientistas locais associados aos empreendedores. Não há outro caminho.

É importante agir enquanto há tempo. Uma FAP forte evita a perda de talentos e contribui, decisivamente, para reservar um lugar no amanhã para os estados e seus cidadãos.

  

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