Ciência
Publicado em 09 de mar. de 2020 · Atualizado em 09 de mar. de 2020 · Leitura: 0 min
por Mariana Alencar / Minas Faz Ciência

Devido ao caráter corriqueiro de seus sintomas, o câncer de ovário é dificilmente percebido por quem tem a doença. Estima-se que em três quartos dos casos o diagnóstico só acontece quando a patologia atinge um estágio avançado. Por isso, ele é o tumor ginecológico com maior taxa de mortalidade no país. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), há a previsão de pelo menos 6.650 novos casos da doença, até 2020.

Na busca de encontrar formas de combater essa e outras formas da doença, um grupo de pesquisadores do Brasil, Reino Unido e Itália desenvolveu um composto que age de forma potente e seletiva contra o câncer de ovário. A pesquisa foi realizada durante o doutorado de Carolina Gonçalves Oliveira, professora do Instituto de Química da Universidade Federal de Uberlândia (UFU).

Sob a orientação de Victor Marcelo Deflon, do Instituto de Química de São Carlos da Universidade de São Paulo (IQSC-USP), Carolina e os outros pesquisadores utilizaram o paládio – metal nobre – como base do composto. Durante os estudos, o material mostrou-se eficiente no combate das células cancerígenas do ovário.

“No início, desenhamos vários compostos contendo os metais paládio e platina. Isso foi feito a partir de um design dos compostos utilizando uma molécula orgânica juntamente com os metais de interesse. Os compostos foram preparados, estudados quimicamente e, depois de terminada a síntese e caracterização, nós os testamos contra várias linhagens cancerígenas. Vimos que um dos compostos de paládio se mostrou promissor especificamente para o câncer de ovário”, detalha a pesquisadora.

Composto eficaz e seletivo

Atualmente, o tratamento do câncer de ovário é feito por meio da cisplatina, um quimioterápico eficiente, mas com severos efeitos colaterais. Segundo Carolina Gonçalves Oliveira, é comum que os pacientes apresentem resistência ao composto e não respondam corretamente ao tratamento. Tal resistência pode ser intrínseca ao paciente ou pode ser adquirida com o tempo.

Além disso, a cisplatina, apesar da eficácia comprovada, pode afetar os rins, o sistema nervoso e a audição dos pacientes. Isso acontece porque o quimioterápico combate não só as células tumorais, mas também as células saudáveis.

“O composto de paládio que nós desenvolvemos apresentou atividade em células resistentes à cisplatina. O aspecto mais importante e o mais promissor de nosso estudo foi que nós conseguimos descobrir um dos mecanismos de ação do composto de paládio. Trata-se da inibição da topoisomerase, enzima presente nas células, enquanto o modo de ação da cisplatina é pela ligação direta com o DNA celular. Logo, sem essa enzima, o DNA não consegue replicar a célula cancerosa”, assegura.

Menos efeitos colaterais

Durante o estudo, a toxicidade do composto de paládio também foi avaliada. Descobriu-se que o composto de paládio não apresentou toxicidade para as células saudáveis sendo dessa forma seletivo para apenas as células doentes.

Entretanto, os experimentos até então realizados foram in vitro, ou seja, o composto não foi testado em seres vivos. Por isso, “não é possível dizer que o teste in vivo vai ter o mesmo resultado, pois trata-se de um experimento diferente”, pondera Carolina. A realização de testes do comportamento do composto em seres vivos é a próxima etapa do estudo e deve ser realizada ainda este ano.

Compartilhar

Mais Notícias

Todas as Notícias
Imagem da notícia Conheça três podcasts que aproximam ciência do público com debates sobre tecnologia e sociedade 
Ciência

12 de mar. de 2026

Conheça três podcasts que aproximam ciência do público com debates sobre tecnologia e sociedade 

Imagem da notícia Bolsistas já podem emitir comprovante de rendimentos 
Institucional

11 de mar. de 2026

Bolsistas já podem emitir comprovante de rendimentos 

Imagem da notícia Conexão FAPEMIG discute chamada para disseminação do conhecimento científico da Epamig 
Ciência

09 de mar. de 2026

Conexão FAPEMIG discute chamada para disseminação do conhecimento científico da Epamig