
No Vale do Jequitinhonha, na região Nordeste de Minas Gerais, o cultivo de batata-doce é amplamente difundido entre pequenos agricultores. Uma das razões refere-se ao baixo custo de produção, já que legume cresce, até mesmo em diferentes tipos de solo e clima, com alta tolerância a seca, exige pouco trabalho e fertilizantes químicos. No entanto, até 40% da colheita brasileira, como um todo, costuma não atender aos padrões de comercialização para o consumo humano.
Na Universidade Federal de Lavras (Ufla) e na Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM), pesquisadores desenvolvem alternativas para o aproveitamento deste excedente, a exemplo da produção de etanol e da reação animal, com apoio da FAPEMIG. “A batata-doce pode ser cultivada por pequenos e grandes produtores e apresenta potencial de uso de toda a planta,ou seja, raízes e ramas. Geram-se assim, renda e emprego para os agricultores. Além disso, disponibiliza-se outra fonte de produção de etanol no Brasil”, afirma o professor Valter Carvalho de Andrade Júnior, atual coordenador do curso de Agronomia da Ufla.
Ele foi responsável pela criação de um banco de germoplasma, com mais de 80 variedades de batata-doce, quando atuava como docente na UFVJM. Ao ingressar ma Ufla, em 2017, levou o material consigo, mas manteve a parceria, nas pesquisas, entre as duas universidades.
Um desses trabalhos foi realizado pelo engenheiro agrônomo Daniel José Silva Viana, doutor em ciência e Tecnologia dos Biocombustíveis pela UFVJM, sob orientação do professor Alexandre Soares do Santos, da mesma instituição. Dentre 20 variedades de batata-doce (Ipomoea batatas), o pesquisador selecionou aquelas com mais alta produtividade e elevados teores de amido para as condições climáticas e de solo especificas do Alto do Jequitinhonha. A região é caracterizada pelo clima subtropical de altitude, com inverno seco e verão ameno. Durante os experimentos de campo, conduzidos na fazenda Forquilha,no município de Diamantina (MG), a temperatura variou entre 9° e 29° C, e a umidade relativa do ar ficou em torno de 55%. A radiação solar atingiu mais de dez horas durante o dia.
A pesquisa apurou, dentre outros fatores, a produtividade estimada de álcool por hectare para cada uma das variedades analisadas, considerando a adoção de tecnologia de primeira geração para a produção de etanol, ou seja, com potencial para a substituição da gasolina. A eficiência energética, a quantidade de resíduos da fermentação e os custos de produção são diferentes para cada tipo de batata-doce. As variedades, algumas com nomes inusitados, como Princesa e Tomba Carro são chamadas de clones. “O plantio é feito com ramas. Por isso, as futuras plantas são idênticas a mãe”, explica Daniel.
Acesse a matéria completa na revista Minas Faz Ciência edição 78, clicando aqui.
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