
Queridinha, principalmente entre as meninas, a maquiagem é uma febre a muito tempo. Para se ter uma ideia, indícios arqueológicos apontam que a sombra mais antiga surgiu a 3.000 anos antes de Cristo, no Egito Antigo.
Mas se engana quem pensa que não é preciso ter cuidado ao utilizar esse aparato milagroso. A prática – muito comum – de compartilhar maquiagens pode ter consequências não tão bacanas.
Isto é o que mostra a pesquisa desenvolvida pelas estudantes do ensino médio da Fundação de Ensino de Contagem (Funec) Laura Maria Resende e Nathália Soares. O estudo, apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG), apontou a presença de bactérias em maquiagens que foram compartilhadas.
A ideia da pesquisa surgiu do cotidiano das meninas. Segundo Juliana Patrícia Martins de Carvalho, orientadora da pesquisa, na escola há muitas atividades culturais e nessas festividades os cosméticos são, frequentemente, divididos entre as garotas.
A professora conta que o estudo teve três etapas. Primeiro elas juntaram informações sobre o assunto, depois recolheram maquiagens doadas pela comunidade e, por fim, as testaram.
“Durante o teste seguimos o mesmo protocolo de microbiologia utilizado pelas industrias de cosméticos e detectamos, mesmo em materiais dentro do prazo de validade, a bactéria Staphylococcus. Principalmente nas bases e batons”, conta Juliana.
Os estafilococos são um tipo muito comum de bactéria que vive na superfície da pele e no nariz. Segundo a orientadora do estudo, uma pessoa saudável convive normalmente com eles, o problema é quando há baixa imunidade.
“Essa bactéria é chamada de oportunista, pois assim que acha uma porta ela aproveita para entrar no organismo. Lá dentro pode causar infecções graves, já que é muito resistente. Para cura-la, às vezes, é preciso o uso de antibióticos fortes e caros”, informa a professora.
O estudo foi finalizado, porém Juliana Carvalho conta que pode ser repetido e até mesmo aprofundado no futuro. “Há a disciplina de microbiologia em cursos técnicos da escola e, por isso, temos aparelhos para repetir o estudo e fazer testes em um número maior de produtos”, conta.
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