Inovação
Publicado em 04 de fev. de 2020 · Atualizado em 04 de fev. de 2020 · Leitura: 0 min
por Tuany Alves

A paraplegia é uma condição física, congênita ou adquirida, na qual uma pessoa tem ausência total ou parcial dos movimentos das pernas. Essa condição pode provocar diversos problemas como feridas profundas na pele – conhecidas como escaras –, má circulação sanguínea, osteoporose, problemas renais, infecção urinária e doenças cardíacas. 

Para ajudar a minimizar esses riscos, um grupo de pesquisadores da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), apoiado pela FAPEMIG, desenvolveu um Exoesqueleto para reabilitação de paraplégicos. Segundo o coordenador do estudo, Rogério Sales Gonçalves, a utilização de um equipamento que permite a locomoção de pessoas com paraplegia pode ajudar a prevenir problemas de saúde, além de colaborar com a melhora do aspecto psicológico do usuário. 

De acordo com Gonçalves, o equipamento é formado por quatro pernas (exoesqueletos), sendo que cada uma é constituída por mecanismos que permitem a reprodução do andar humano. O coordenador explica que a escolha visou prover sustentação, estabilidade e segurança ao usuário, uma vez que sempre haverá duas pernas em contato com o piso.

O professor destaca que, assim como o exoesqueleto apresentado na abertura da Copa Mundial de Futebol de 2014, que ocorreu no Brasil, a estrutura objetiva permitir a movimentação de pessoas com comprometimento na capacidade de andar. No entanto, o aparelho mineiro, além de ser focado em pessoas paraplégicas, funciona através da força do usuário, e não por motores. “Essa é a principal inovação do aparelho, uma vez que se tem uma estrutura de baixo custo que permite a movimentação e exercícios de todo o corpo do usuário proporcionando-lhe, ainda, uma melhora em sua saúde”, conta.

Desenvolvimento

A ideia de construir o exoesqueleto surgiu a partir de uma dissertação desenvolvida na UFU que identificou a necessidade de um dispositivo, de baixo custo, que permitisse que pessoas paraplégicas se movimentassem por meio de sua própria força. 

Rogério Gonçalves explica que, a partir desses requisitos, foi realizada a síntese do mecanismo para permitir reproduzir a movimentação das pernas e resistir ao peso do usuário. “Na sequência, foram realizadas simulações gráficas em computador e construído um protótipo”, conta.

Segundo o pesquisador, a ideia é que os usuários possam fazer atividades simples que os ajudem tanto na saúde física como psicológica. “Ações como conversar em pé – na mesma altura – com outras pessoas, movimentar as pernas melhorando a circulação e minimizando diversos problemas. Além disso, o equipamento permite um melhor condicionamento físico e respiratório e fortalecimentos dos braços, necessários para o acionamento/movimentação das pernas”, pontua.

Próximos passos

O trabalho já gerou uma patente, administrada pela FAPEMIG e pela UFU. Atualmente, busca melhorias que permitam aos usuários fazer curvas. “Também serão realizados testes com voluntários, assim que houver a aprovação do dispositivo pelo comitê de ética para testes com seres humanos”, adianta Gonçalves.

O grupo pretende, ainda, que a estrutura seja utilizada para a reabilitação de pessoas que sofreram Acidente Vascular Cerebral (AVC). “Estamos trabalhando para que a tecnologia esteja disponível no mercado a baixo custo, de forma que possa atender a todos, inclusive crianças”, finaliza.

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