Ciência
Publicado em 09 de jul. de 2019 · Atualizado em 09 de jul. de 2019 · Leitura: 0 min
por Roberta Nunes / Minas Faz Ciência

Pensando em evitar fraudes em carne que pesquisadores da Fundação Ezequiel Dias (Funed), em colaboração com pesquisadores da UFMG, desenvolveram um biosensor para controlar a qualidade dos alimentos e identificar fraudes. A pesquisa conta com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG).

O dispositivo é simples, pequeno, portátil, além de ser de fácil manuseio e fornecer resultados rápidos, seguros e com menos etapas. Ele é capaz de analisar a presença de carne de cavalo, boi, cachorro, galinha, coelho e porco, além de identificar a quantidade. “Fizemos vários testes nos quais detectamos que, muitas vezes, a descrição no rótulo não confere com o produto. Por isso, o biosensor ajudará no controle de qualidade e, como consequência, na saúde do consumidor”, explica o coordenador das pesquisas, Luiz Guilherme Heneine.

 A aplicabilidade do produto é diversa. Sabe-se que, nas indústrias, as misturas podem ser realizadas visando maior lucro, mas o empresário que quiser exportar seus produtos adequadamente pode usar o teste como uma ferramenta de rastreabilidade e, desta forma, comprovar a qualidade da carne. Os órgãos reguladores também podem usar o biosensor para fiscalizar se os ingredientes citados no rótulo estão de acordo com as proporções autorizadas e identificar misturas impróprias. No Brasil, ainda não existe tecnologia para essa finalidade. De acordo com o pesquisador, a Codemig tem assessorado na montagem de um plano de negócio.

Funcionamento

Os biosensores detectam a presença ou ausência de uma substância através da ligação de um biocaptor (nesse caso um anticorpo específico para determinada espécie de carne) e enviam essa informação através de energia elétrica ou óptica para circuitos eletrônicos, que as amplificam, permitindo aos operadores dos equipamentos receberem a informação para análise posterior. Existem vários tipos de biosensores. Nesse caso, os pesquisadores usam o impedimétrico. Ele sinaliza quando algo atrapalha o equilíbrio que existia, aumentando a resistência à passagem da corrente elétrica. Isso torna possível identificar a espécie de carne em função do anticorpo presente no biosensor.

Para isso ocorrer, os pesquisadores definiram seis tipos de carnes de animais que seriam testadas e fizeram os anticorpos para cada espécie. Assim, o teste só reconhecerá a carne para a qual foi desenvolvido. “Quando aparece a alteração na impedância, já é possível saber qual a espécie de carne que está presente, pois o eletrodo colocado é capaz de identificar aqueles seis tipos. Logo, é possível enxergar pelo aumento de resistência qual foi o tipo de contaminação”, acrescenta o pesquisador.

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