Institucional
Publicado em 27 de abr. de 2018 · Atualizado em 27 de abr. de 2018 · Leitura: 0 min
por Teo Scalioni

Promover a formação empreendedora para mulheres bolsistas de mestrado e doutorado da Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (FAPEMIG), assim como reduzir o desequilíbrio de gênero na academia. Esse é o objetivo do Desafio de Empreendedorismo do Legado Acadêmico (Dela), programa da instituição que teve o seu lançamento nesta sexta-feira (27/4), no auditório da Ordem dos Advogados do Brasil, em Belo Horizonte.

A proposta do programa é possibilitar o aumento da competitividade das alunas e pesquisadoras, transformando a ciência em empreendimentos. A inciativa é considerada de suma importância ao apoio às mulheres na ciência, por verificar que dos pesquisadores do mundo, elas representam 28%. Além disso, são responsáveis por 38% dos cargos gerenciais no Brasil, número considerado baixo se comparado com a produção científica do sexo feminino, que é de 49%.

O Dela em sua fase inicial irá realizar a capacitação empreendedora em seis cidades polos mineiras: Belo Horizonte, Uberlândia, Viçosa, Juiz de Fora, Montes Claros e Lavras. Após essa etapa, selecionará e formará as equipes multidisciplinares para em uma terceira fase entrar nas mentorias. Nela, será desenvolvido o plano de negócio com orientação de profissionais capacitados. Na quarta fase, acontece a premiação em que serão escolhidas três equipes vencedoras.

De acordo com o presidente da FAPEMIG, professor Evaldo Vilela, esse é o momento em que se vê necessária realizar uma mudança na pós-graduação brasileira. Para ele, o pesquisador culturalmente possui uma formação acadêmica, ficando mais no âmbito das universidades, por meio de concursos, dentro dos laboratórios, ou como professores e pesquisadores. No entanto, o mundo está em transformação. “Observa-se uma mudança de era, de paradigma. Os pesquisadores não podem ser apenas os usuários do conhecimento. Precisam despertar o desejo de empreender o que sabem”, acredita o professor Evaldo.

O presidente da FAPEMIG reforça que essa mudança se trata de uma evolução natural que verifica as necessidades sociais. Por isso, nesse contexto, Evaldo salienta que é também necessário incentivar o papel das mulheres em direção ao empreendedorismo. Isso porque, mesmo o sexo feminino estando bem representado nas pesquisas acadêmicas, ainda se encontra em desvantagem quando o assunto é empreendedorismo de base tecnologia e startups. “É hora de começarmos a aumentar a atuação e empregabilidade das mulheres nessas áreas. Por isso, elas precisam estar preparadas para ocupar essas oportunidades. E esse é o objetivo do Dela, programa que vamos experimentar e que dentro das nossas possibilidades queremos que prossiga”, acredita.

Já para o diretor de ciência, tecnologia e inovação da FAPEMIG, Paulo Beirão, o papel das agências é de induzir, avançar e fazer coisas novas. Elas precisam manter o que existe e propor novas culturas, ações, atitudes e assim está sendo realizado com o Dela. “Induzindo a cultura empreendedora feminina no País. E as mulheres, como vem mostrando frente a outros desafios no dia-a-dia, conseguirão responder bem a essa expectativa”, salientou.

A diretora de engenharia de Ciências Exatas e Humanas do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Adriana Tonini, realizou uma palestra falando sobre a atuação feminina no universo das pesquisas. A diretora citou como exemplo, que atualmente as publicações que envolvem mulheres são praticamente a metade das publicações totais. No entanto, em se tratando de áreas específicas como computação e matemática, esse número cai para cerca de 25%. “Desde 2006 estamos fazendo ações de gêneros para a aumentar a participação das mulheres. Tanto que o número de artigos publicados por mulheres aumentou 11% nos últimos 20 anos”, mostrou Adriana, ressaltando que entretanto, é necessário uma participação mais efetiva do sexo feminino em cargos de liderança e estratégia. “Eu, por exemplo, sou a primeira mulher a ocupar o cargo de diretoria no qual estou”, lembrou.

Após a apresentação de Adriana, o Analista de Empreendedorismo e Inovação do Sistema Mineiro de Inovação (Simi), Thiago Morais, apresentou o diagnóstico da participação feminina. Em um contexto maior, citou como exemplo que dos mais de 600 Prêmios Nobel recebidos, as mulheres ganharam apenas 18 deles. Também participaram da mesa a vice-presidente da OAB/MG, Helena Delamônica e a presidente da Comissão de Direito para Startups da OAB/MG, Paula Figueiredo.

Além da FAPEMIG, o Dela é realizado pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (SEDECTES) e do Sistema Mineiro de Inovação (Simi). Apoiam o projeto a OAB de Minas Gerais, por meio da Comissão de Direito para Startups; Coordenadoria de Transferência e Inovação Tecnológica (CTiT); e os programas She´sTech e Mulheres por Minas (MpM).

As inscrições podem ser feitas no www.simi.org.br/dela

 

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