Institucional
Publicado em 21 de fev. de 2019 · Atualizado em 21 de fev. de 2019 · Leitura: 0 min
por Tatiana Nepomuceno

Em um ambiente virtual o
jogador controla o voo de um Gavião-real, nossa águia brasileira, passa por
várias fases e completa desafios com diferentes níveis de dificuldade. Este é
o Harpy Game, jogo virtual desenvolvido por pesquisadores da UniversidadeFederal de Uberlândia (UFU), com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado
de Minas Gerais (FAPEMIG), e utilizado no tratamento de pacientes com sequelas
motoras após um Acidente Vascular Cerebral (AVC).

O game faz parte dos
desdobramentos da pesquisa Desenvolvimento
de um Sistema de Realidade Aumentada Imersiva para Simulação e Treinamento de
Usuários de Próteses de Membros Superiores
, coordenada por Edgard Lamounier.
A proposta consiste na utilização da realidade virtual para a reabilitação dos
braços de pacientes que tiveram AVC, mas também pode ser configurada para
outros tipos de traumas que exigem reabilitação por fisioterapia, como: quebrar
a clavícula, o punho, a bacia, dentre outras. “Este jogo, especificamente,
é feito seguindo os protocolos de reabilitação para pacientes que sofreram AVC,
e uma vez já configurado o fisioterapeuta apenas deve fazer a adequação do
Harpy Game de acordo com as
dificuldades motoras do paciente a ser tratado”, explica.

O jogo possui várias fases e
cada uma prioriza um tipo de movimento. Na primeira, por exemplo, o jogador
precisa controlar o voo do Gavião-real e para isto, tem os primeiros
movimentos de direção dos braços no sentido da direita, esquerda, acima e
abaixo. Na sequência, é o momento de trabalhar os cotovelos e nesta fase, o
paciente realiza movimentos com os braços ao atravessar anéis virtuais. Por
fim, na terceira fase é a vez do gavião pescar e nesta atividade o paciente
aprende a esticar e dobrar o membro lesionado “Assim vai até o final do
jogo. São cinco fases, que ajudam de forma divertida e muito séria o paciente a
realizar a reabilitação”, finaliza.

Portabilidade e o Tratamento Fora Domicílio (TFD)

Além das funcionalidades de
reabilitação, o jogo se destaca por sua portabilidade. Ocorre que, para
funcionar, é preciso apenas um computador com o dispositivo instalado e um
bracelete que faz a conexão e transporta o paciente para outra dimensão. Desta
forma, o Harpy Game pode ser utilizado até mesmo dentro do quarto do hospital logo
após o AVC. “Isto aumenta muito a margem de recuperação total ou quase
total do paciente, pois o tempo aqui para a reabilitação é fundamental”
afirma Lamounier.

Outra vantagem da tecnologia,
de acordo com o pesquisador, é a possibilidade de levar o jogo para locais
remotos onde a escassez de equipes multidisciplinares para realizar o
tratamento é uma realidade. “Uma vez que ele já possui a configuração
especifica, basta que o profissional de fisioterapia faça a adaptação de
acordo com a necessidade do paciente. Isto, diminuiria a taxa de TFD, por
exemplo, em função do deslocamento para o tratamento de saúde e aumentaria as
chances de reabilitação do membro”, ressalta.

 

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