Ciência
Publicado em 29 de set. de 2020 · Atualizado em 29 de set. de 2020 · Leitura: 0 min
por Teresa Sanches - Cedecom UFMG

A UFMG é uma das instituições que participam da Rede Nacional de Combate à Desinformação (RNCD), lançada na última quinta-feira, 24/9. O consórcio reúne cerca de 30 projetos que trabalham e contribuem para enfrentar a desinformação, especialmente nas áreas de saúde, política, meio ambiente, ciência e tecnologia. 

A Força-tarefa Amerek, iniciativa apoiada pela FAPEMIG, representa a UFMG nessa rede. “Integrar a RNCD significa dar visibilidade às ações e movimentos que a UFMG vem realizando junto com outras Ifes (Instituições Federais de Ensino), no combate à desinformação, tarefa tão importante para a defesa da democracia, da saúde pública e do meio ambiente”, afirma o professor Yurij Castelfranchi, um dos coordenadores da Amerek, ao lado do também professor Roberto Takata. “É também um reconhecimento ao esforço coletivo e voluntário de estudantes, pesquisadores, docentes e de pessoas de fora da UFMG e ao curso de Comunicação da Ciência, que integraram a Força-tarefa Amerek e agora estão juntos nessa rede transversal, interdisciplinar e interinstitucional”, acrescenta. 

Denúncia 

A RNDC surgiu, em 2019, no âmbito do Programa de Pós-doutorado da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Ao integrar o Projeto Mandacaru, vinculado ao Comitê Nordeste de Combate à Covid, conquistou mais voluntários de todas as regiões do país. Cada um contribui com atuação específica. 

O site da rede oferece uma interface por meio da qual o público pode alertar sobre informações veiculadas em sites, perfis de redes sociais ou no WhatsApp que devam ser checadas pelos integrantes da RNDC. 

Fake news x desinformação 

“Desinformação é uma questão seríssima, que inicialmente habitava os territórios mais políticos, mas agora está totalmente presente também nas áreas de saúde, meio ambiente, ciência e tecnologia”, afirma o professor Yurij Castelfranchi. 

Compreender como funciona o universo da informação e como as pessoas podem difundi-la é fundamental para mudar esse cenário, na avaliação do professor. A começar pelo entendimento do próprio termo “desinformação”, que diferentemente de “fake news” (notícias falsas), representa um ecossistema muito mais complexo. 

O professor esclarece que o termo fake news, criado por políticos para deslegitimar o jornalismo investigativo de qualidade, é impreciso e pouco usado no meio acadêmico, porque também contradiz o próprio conceito técnico de notícia, que é o relato de um fato ocorrido e não de uma falsidade. 

Castelfranchi define as fake news como desinformações que se camuflam de notícias, apropriando-se do estilo, timbre, linguagem, formato e dos mesmos canais em que as narrativas jornalísticas são propagadas. “São narrativas construídas para ativar emoções como indignação, repúdio, medo, raiva e ódio. E, quando essas emoções coincidem com valores, crenças ou posicionamentos políticos, as pessoas tendem a acreditar e a reproduzir essas desinformações”, justifica. 

Em razão dessa complexidade, o combate às fake news transcende a oferta de informações corretas e envolve a construção e a reconstrução de uma relação de confiança entre as instituições e seus públicos, base do trabalho da Amerek. A força-tarefa empenha-se em produzir informação sob medida, conforme as necessidades de grupos específicos, como imigrantes, moradores de periferias e grupos tradicionais. Essas informações devem ser aplicáveis no cotidiano das pessoas, contribuindo para que percebam o que podem fazer para mudar suas realidades.  

“Trata-se de uma construção coletiva da informação, com diálogo direto, gravando as vozes, competências e conhecimentos desses grupos. Suas informações devem ajudar a empoderar as pessoas e a construir pontes para combater a desinformação”, conclui Castelfranchi.

Saiba mais sobre a Força-tarefa Amerek aqui

Compartilhar

Mais Notícias

Todas as Notícias
Imagem da notícia Conheça três podcasts que aproximam ciência do público com debates sobre ciência, tecnologia e sociedade 

12 de mar. de 2026

Conheça três podcasts que aproximam ciência do público com debates sobre ciência, tecnologia e sociedade 

Imagem da notícia Bolsistas já podem emitir comprovante de rendimentos 
Institucional

11 de mar. de 2026

Bolsistas já podem emitir comprovante de rendimentos 

Imagem da notícia Conexão FAPEMIG discute chamada para disseminação do conhecimento científico da Epamig 
Ciência

09 de mar. de 2026

Conexão FAPEMIG discute chamada para disseminação do conhecimento científico da Epamig