Ciência
Publicado em 31 de mar. de 2020 · Atualizado em 31 de mar. de 2020 · Leitura: 0 min
por Tuany Alves

**Atualizada – 31/03/20 às 17h

A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG) tem investido em ações voltadas ao enfrentamento e mitigação de danos provocados pela Covid-19. Além da divulgação de chamada emergencial para financiamento de pesquisas sobre o tema, a Fundação também direcionou recursos financeiros adicionais ao Centro de Tecnologia de Vacinas (CT-Vacinas), do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Vacinas (INCT-V).

De acordo com o coordenador do INCT-V, Ricardo Gazzinelli, também professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e pesquisador sênior do Centro de Pesquisas René Rachou, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz Minas), a equipe mudou radicalmente sua rotina para enfrentar essa ameaça. Grande parte dos pesquisadores foram reajustados para trabalhar em duas frentes: diagnóstico e desenvolvimento da plataforma de uma vacina contra o coronavírus.

As ações estão reunidas no projeto Desenvolvimento de testes de diagnóstico molecular e sorológico para Covid-19, que, além da FAPEMIG, também conta com o apoio do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC). Gazzinelli coordena o estudo, que trabalha com várias plataformas de vacinas.

Uma delas utiliza o vírus da influenza como um vetor vacinal. Segundo o pesquisador, nesta técnica estabelecida pelo pesquisador da Fiocruz-Minas Alexandre Machado, o vírus usado é atenuado, ou seja, não replica a doença, mas induz a resposta imunológica. “Como a influenza e o Coronavírus infectam as mesmas células e tecidos, achamos que essa pode ser uma vacina eficiente”, explica. O grupo está construindo este vírus da influenza expressando a proteína de superfície do coronavírus-2 (CoV-2). “A ideia é usá-la como uma vacina ambivalente, servindo contra a influenza e contra o CoV-2″.

LONGO CAMINHO
O coordenador lembra, entretanto, que o desenvolvimento de uma vacina não é tão rápido como se gostaria. “Normalmente, o processo demora um ano a dois anos e meio, mesmo em tempos de urgências, como o que estamos vivendo”.

Será preciso aguardar para a obtenção de uma vacina contra o CoV-2, por outro lado os testes se encontram a todo vapor no CT-Vacinas. Liderado por professores da UFMG, o grupo do INCT-V conseguiu rapidamente estabelecer o teste molecular em Minas Gerais. 

Segundo Ricardo Gazzinelli, atualmente o grupo – que conta com a participação dos docentes  Santuza Teixeira, Flávio da Fonseca e Pedro Alves – presta serviço para vários hospitais mineiros, além de ter repassado a metodologia para outros laboratórios da UFMG que, por sua vez, também realizam serviços para hospitais. “Dessa forma, o CT-Vacinas desempenhou um papel central para atender a comunidade na realização de testes moleculares do coronavírus”, destaca.

Já a professora da UFMG Ana Paula Fernadez está desenvolvendo a aplicação de um teste rápido para o coronavírus que forneça o resultado em até uma hora. “Isso é fundamental para se fazer a triagem em uma grande população. Já tínhamos essa tecnologia funcionando, agora estamos a modificando para o enfrentamento da Covid-19”, ressalta.

Gazzinelli destaca que o investimento na ciência não pode parar. “Imagine um carro: é preciso muito mais força para fazer um carro andar quando ele está totalmente parado, do que quando ele está andando – ainda que devagar. É preciso que a ciência seja financiada o tempo todo para que esses grupos não precisem recomeçar do zero quando tivermos um problema desses”, ressalta.

CENTRO DE TECNOLOGIA DE VACINAS
O CT-Vacinas é um laboratório instalado no Parque tecnológico de Belo Horizonte (BH-TEC) com o objetivo estabelecer um ambiente de pesquisa adequado para o desenvolvimento e inovação tecnológica. Sua criação ocorreu graças à iniciativa de um grupo de pesquisadores da UFMG e Fiocruz Minas do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Vacinas (INCT-V).

De acordo com Gazzinelli, o INCT-V atua basicamente com três linhas de pesquisa: entendimento dos mecanismos de defesa do organismo contra processos infecciosos; aquisição de tecnologias de vacina; e testes das vacinas. Ele destaca que, atualmente, existem várias metodologias para fazer uma vacina “Pode-se usar uma proteína recombinante ou um patógeno atenuado essa variedade é muito importante, já que podemos variar nas formulações”, conta. 

Compartilhar

Mais Notícias

Todas as Notícias
Imagem da notícia Conheça três podcasts que aproximam ciência do público com debates sobre tecnologia e sociedade 
Ciência

12 de mar. de 2026

Conheça três podcasts que aproximam ciência do público com debates sobre tecnologia e sociedade 

Imagem da notícia Bolsistas já podem emitir comprovante de rendimentos 
Institucional

11 de mar. de 2026

Bolsistas já podem emitir comprovante de rendimentos 

Imagem da notícia Conexão FAPEMIG discute chamada para disseminação do conhecimento científico da Epamig 
Ciência

09 de mar. de 2026

Conexão FAPEMIG discute chamada para disseminação do conhecimento científico da Epamig