Ciência
Publicado em 24 de abr. de 2018 · Atualizado em 24 de abr. de 2018 · Leitura: 0 min
por Tatiana Nepomuceno

As leishmanioses são doenças com elevada incidência no Brasil e vêm sendo alvo de constantes estudos, em decorrência de sua elevada morbidade e mortalidade. Por não existir uma cura parasitológica definitiva contra a infecção pelo parasito Leishmania, mas apenas uma melhoria clínica sem cura completa, um grupo de pesquisadores mineiros vêm utilizando a nanotecnologia como uma alternativa para a redução da toxicidade de medicamentos disponíveis contra a doença, que tenham baixo custo e que sejam efetivos para seu no tratamento. O grupo de pesquisa é coordenado pelo professor Eduardo Antonio Ferraz Coelho, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), e é cadastrado no Diretório de Grupos de Pesquisa no Brasil junto ao CNPq com o nome de Tecnologias Inovadoras para o Controle de Leishmanioses.

De acordo com o professor Coelho, sua equipe desenvolveu um sistema de entrega (delivery) para a anfotericina B (AmpB), um dos principais fármacos usados no combate à enfermidade, nos mais recônditos locais do organismo humano. “Por meio da nanotecnologia, utilizamos moléculas de sulfato de condroitina e quitosana de médio peso molecular para servirem de arcabouço à incorporação da AmpB, o que permitiu diminuir, em termos significantes, a toxicidade da droga livre e mantêm sua eficácia contra o parasito”, explica Coelho. Além de ser menos tóxico, o sistema visa também a um tratamento mais econômico para o governo e a população, podendo ser disponibilizado na rede pública de saúde.

O pesquisador explica que isso só é possível, pois o sulfato de condroitina e a quitosana de médio peso molecular são matérias-primas de baixo custo e já aprovadas para utilização em humanos, mas com outros fins. “Por esse motivo, imaginamos que o preço final do produto será bem menor em relação às formulações lipossomais contendo anfotericina B. Além disso, não é necessário nenhum equipamento sofisticado para a preparação de tal sistema de delivery contendo a droga”, complementa.

Os testes foram realizados em células humanas e a novidade é que tal mecanismo de tratamento poderá, também, ser implementado em cães infectados, haja vista que a AmpB tem espectro de ação tanto em humanos quanto em tais animais. “Outras drogas, como o Milteforan®, cujo uso é aprovado no Brasil para tratamento da leishmaniose visceral canina, também poderão ser incorporadas ao sistema de entrega contendo as nanopartículas. Com menor quantidade de tais drogas nas formulações, acredita-se que a toxicidade será significativamente reduzida, quando comparada à utilização das drogas comerciais na forma pura”, finaliza.

Sobre a Anfotericina B

A anfotericina B é um fármaco ativo contra Leishmania, porém, causa também toxicidade renal, hepática e cardíaca nos pacientes em tratamento. Com vistas à melhoria do índice terapêutico do produto, e a fim de reduzir sua citotoxicidade nos indivíduos, formulações farmacêuticas lipossomais derivadas da AmpB foram desenvolvidas para administração parenteral. O presente projeto foi além e teve como objetivo o desenvolvimento de novas formulações farmacêuticas compostas por sistemas poliméricos de nanopartículas carreadoras de fármacos, que permitiu a incorporação da AmpB e sua avaliação quanto à eficácia e segurança em estudos in vitro e in vivo.

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