Ciência
Publicado em 16 de fev. de 2018 · Atualizado em 16 de fev. de 2018 · Leitura: 0 min
por SIMI

Localizado no município de Oliveira, bem distante da poluição luminosa da grande BH, o observatório mineiro Sonear, sigla em inglês para Observatório Austral para Pesquisa de Asteroides Próximos à Terra, é reconhecido mundialmente pela detecção de asteroides e cometas com órbita passando próxima ao nosso planeta.

Mas na madrugada do dia 8 de fevereiro, os telescópios foram apontados para um objeto peculiar: o Sonear captou imagens do Tesla, de Elon Musk, acoplado ao segundo estágio do foguete Falcon Heavy.

A equipe do observatório produziu um vídeo com 10 imagens de 60 segundos obtidas pelo telescópio. No momento da captura, o conjunto Falcon e Tesla estava a mais de 380 mil quilômetros da Terra, ou seja, algo parecido com a distância entre a Lua e o nosso planeta. “Recebi um e-mail, às 3h da madrugada, dizendo que o Falcon Heavy estaria bem visível daqui. Por sorte eu estava acordado e resolvi tentar. Fomos o primeiro observatório do mundo a pegar imagens do Falcon Heavy”, explica o engenheiro e co-fundador do Sonear, Cristóvão Jacques.

 

Com as imagens, foi possível mapear a órbita do objeto. A observação do Sonear, por sinal, ajudou a corrigir a informação divulgada por Elon Musk, de que o foguete chegaria ao cinturão de asteroides, localizado entre as órbitas de Marte e Júpiter. “Inclusive a Nasa está ajustando a base de dados deles com base na órbita que nós e outros cinco ou seis observatórios calculamos”, comenta o astrônomo amador.

Como não foi colocado nenhum rádio ou transpônder capaz de transmitir a localização do foguete, esse mapeamento é importante para possibilitar a localização futura do objeto que a SpaceX lançou ao espaço.

Sonear

O Sonear começou a funcionar em 2014, a partir da iniciativa de Cristóvão Jacques e do astrônomo João Ribeiro. Desde então, a equipe, que atualmente também conta com a participação do advogado Eduardo Pimentel, identificou 28 asteroides e 6 cometas.

O monitoramento do céu noturno é constante. Durante a noite os telescópios são pré-programados e operados remotamente para fazer imagens do céu. Já no decorrer do dia, é feita uma programação que determina as zonas do céu a serem monitoradas. Um software analisa as imagens, separando potenciais descobertas e descartando objetos já catalogados.

Para se ter uma ideia, o trabalho realizado pelo Sonear não visa apenas catalogar objetos presentes no Sistema Solar. Vigiar asteroides próximos à órbita terrestre é uma forma de prever eventuais quedas de objetos em áreas povoadas. “No ano passado descobrimos um asteroide a menos de um dia de passar próximo à Terra. Esses asteroides são descobertos muito em cima da hora, porque a gente só consegue ver quando já estão mais próximos. Se ele fosse cair na Terra, teríamos 20 horas para avisar a região que seria atingida. Se não fosse o Sonear, esse asteroide passaria em branco sem ser descoberto”, comenta o engenheiro.

A importância do trabalho realizado pelo Sonear sempre é destacada no cenário internacional. Isso porque os observatórios localizados nos países do norte, como os EUA, por exemplo, não conseguem monitorar o céu visto do sul do planeta. Até janeiro deste ano, apenas o Sonear e um observatório australiano faziam o monitoramento no hemisfério sul, mas o trabalho realizado em Oliveira serviu de inspiração para a construção do Observatório Campo dos Amarais (OCA), recém-inaugurado no município de Bilac, no estado de São Paulo.

No ano passado, a equipe do Sonear realizou uma campanha em um site de crowdfunding para arrecadar recursos para manter o observatório. Com a colaboração de vários admiradores do trabalho realizado em Oliveira, o Sonear conseguiu R$ 19 mil para ajudar na manutenção e reposição de equipamentos. “Se tiver uma empresa interessada em patrocinar o observatório, também estamos dispostos a analisar a proposta”, completa Jacques.

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