Ciência
Publicado em 08 de out. de 2020 · Atualizado em 08 de out. de 2020 · Leitura: 0 min
por Tuany Alves

Foto: Daniel Pereira

O Estado de Minas Gerais é famoso por seus queijos. Produções como da região do Serro e da Canastra são conhecidas por seus sabores e texturas. Porém, outra região ideal para a fabricação do alimento é o Campo das Vertentes. Com condições climáticas e ambiente propício para o processo de maturação, a região está retomando e expandindo a sua produção de queijos artesanais.

Pensando nisso, o Centro de Pesquisa e Treinamento em Queijos Artesanais (CPTQA), que funciona no Campo Experimental Risoleta Neves da Epamig, em São João Del- Rei (MG), está produzindo diversos estudos para aprimorar essas produções. O grande diferencial do Centro é que os estudos focam os queijos feitos a partir de leite cru. Esse processo ficou proibido por muitos anos em função da legislação brasileira, que só permitia queijos a partir de leites pasteurizados. 

Segundo o responsável técnico pelo Centro, Daniel Arantes Pereira, os pesquisadores da Epamig identificaram a necessidade de ter uma unidade voltada para esse processo. “Temos toda a cadeia produtiva aqui, inclusive a produção de alimento para as vacas e cria dos bezerros. Então podemos fazer todo o controle do queijo”, conta. 

As pesquisas, no entanto, são voltadas para a parte tecnológica do processo, como o estudo que avalia o impacto do soro fermentado na produção. Pereira explica que, além do leite cru, os queijos artesanais tem um diferencial que é o pingo, ou seja, um fermento feito a partir da coleta do soro depois da primeira viragem do produto. “Este foi um projeto em parceria com a UFMG, além de ter sido o primeiro do Centro a ser financiado pela FAPEMIG. Nele buscamos comparar o queijo com e sem pingo”, lembra. 

Os estudos desenvolvidos no CPTQA têm como foco três metas: agregar valor à produção, reduzir a mão de obra e aumentar a segurança do consumidor. 

Pesquisas FAPEMIG

O processo de maturação e como o meio ambiente o afeta também é tema de pesquisas do Centro. Pereira coordenou o estudo que contou com o apoio da FAPEMIG e uma parceria com a Universidade Federal de Lavras (Ufla) sobre o assunto. 

Segundo o pesquisador, os queijos foram produzidos com o mesmo leite e distribuídos em cinco ambientes de maturação diferentes. “Nas umidades mais baixas tivemos queijos parecidos com o parmesão, já os maturados em umidades mais altas desenvolveram fungos, além de adquirirem uma aparência de massa cozinha, se assemelhando ao camembert”, informa. Já sobre a segurança Pereira conta que não houve um impacto significativo na microbiota patogênica dos queijos, os tornando seguros. 

Outra pesquisa desenvolvida no Centro, e que contou com o apoio da FAPEMIG, é do pesquisador Junio Cesar Jacinto de Paula. O estudo está desenvolvendo uma embalagem ativa com permeabilidade seletiva de oxigênio e umidade.

Segundo Pereira, a ideia é que os compostos da embalagem inibam a criação de fungos, que é um problema recorrente durante a maturação. “Queremos permitir a maturação adequada do queijo, já que é nessa fase que ele desenvolve sabor, cheiro, textura e consistência. Antes desse disso ele não tem gosto de nada”, informa.

Foto: Bruno Souza

Queijo de qualidade

Mas o que garante um queijo de boa qualidade? Segundo Pereira, o primeiro requisito é ter um bom leite, obtido de vacas sadias e de forma higiênica. “É na ordenha que está o segredo e é lá que são feitas as etapas de controle de qualidade, pois não há como concertar um leite ruim”, destaca. 

Outro ponto é a fabricação, o pesquisador informa que é preciso tomar cuidados e manter a boa prática durante a produção dos queijos. Evitando ao máximo o processo de contaminação.  

Incentivo a diversidade

Recentemente o governador Romeu Zema assinou um decreto que regulamenta a produção e comercialização dos queijos artesanais em Minas Gerais. A medida estabelece normas sanitárias, boas práticas agropecuárias e de fabricação para garantir a qualidade dos queijos. A iniciativa visa, ainda, estimular a diversificação e a variação na produção e maturação de queijos artesanais.

Pereira conta que a criatividade dos queijeiros mineiros é muito grande e já se percebia que os produtores estavam fazendo testes com seus produtos, o que os deixavam fora da legislação. “Os próprios queijos maturados em condições controladas estariam fora”, informa. 

O regulamentando ampliou essas possibilidades, uma vez que agora eles aceitam queijos produzidos em condições controladas de maturação, que deixam crescer fungo nas cascas, tamanhos diferentes, etc.

Para o pesquisador a regulamentação abriu um leque de possibilidades para que os queijeiros possam exibir toda a sua criatividade para fazer os queijos. “Com isso, nós, os pesquisadores do Centro, temos a capacidade de dar um suporte a esses produtores para garantir a segurança desses queijos”, afirma. 

FAPEMIG, juntamente da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede), também viabilizou recursos necessários para dar continuidade a uma chamada pública, realizada em 2017, que busca fomentar pesquisas para solucionar questões que limitavam a comercialização do queijo mineiro no Brasil e no exterior. Confira a matéria aqui.

Compartilhar

Mais Notícias

Todas as Notícias
Imagem da notícia Conheça três podcasts que aproximam ciência do público com debates sobre tecnologia e sociedade 
Ciência

12 de mar. de 2026

Conheça três podcasts que aproximam ciência do público com debates sobre tecnologia e sociedade 

Imagem da notícia Bolsistas já podem emitir comprovante de rendimentos 
Institucional

11 de mar. de 2026

Bolsistas já podem emitir comprovante de rendimentos 

Imagem da notícia Conexão FAPEMIG discute chamada para disseminação do conhecimento científico da Epamig 
Ciência

09 de mar. de 2026

Conexão FAPEMIG discute chamada para disseminação do conhecimento científico da Epamig