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Publicado em 22 de jun. de 2023 · Atualizado em 22 de jun. de 2023 · Leitura: 0 min
por Bárbara Teixeira

Soluções para endemias que afligem Minas Gerais foram as principais pautas dos projetos apresentados no Seminário de Avaliação Final do Programa de Pesquisa para o SUS, o PPSUS, no âmbito da Chamada FAPEMIG nº 03/2020. O evento foi realizado pela FAPEMIG nos dias 20, 21 e 22 de junho e contou com a participação de coordenadores, professores e técnicos da Secretaria de Estado de Saúde (SES MG). 

A abertura aconteceu na terça-feira (20). Estavam presentes Paulo Sérgio Lacerda Beirão, presidente da FAPEMIG, Ana Maria Caetano de Faria, pertencente à Coordenação Nacional do PPSUS no Ministério da Saúde, Poliana Cardoso Lopes, secretária adjunta da SES MG, e Gilberto Ferreira de Souza, representante do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) por meio da Coordenação Geral de Ciências da Saúde e Biociências. 

“O PPSUS é um programa muito bem-sucedido. O próprio SUS é um extraordinário programa brasileiro e incentivar a busca pelas soluções de seus problemas é fundamental para aplicação deste conhecimento gerado em políticas públicas. Este seminário é importante para interação entre os participantes, pois agora é o momento de repassar o conhecimento e trocar experiências”, recepcionou Paulo Beirão. 

Em Minas Gerais, o PPSUS é gerenciado pela FAPEMIG em parceria com a SES MG. De acordo com Poliana Lopes, estimular a pesquisa na área da saúde por meio de programas estatais aproxima a academia da gestão governamental. “Um dos nossos objetivos é utilizar a academia para a tomada de decisões do Estado. Esse é um ponto que a gente sempre valorizou, a tomada de decisões com dados. Mas nós só vamos conseguir utilizar os dados disponíveis estando mais próximos da academia. Para isso, a gente precisa não só alinhar os temas e os principais desafios, mas também alinhar o tempo da gestão e da academia para que seja possível ter uma adesão efetiva dentro da Secretaria”, disse. 

O Programa de Pesquisa para o SUS não é novo: ele existe há mais de 20 anos buscando solucionar os problemas da saúde pública regional. Como ressaltou Lopes, o Estado traz os maiores problemas e os acadêmicos desenvolvem trabalhos de pesquisa em cima dessas temáticas. Gilberto Ferreira, do CNPq, destacou que o seminário é um momento crucial para a troca de experiências. “Esse momento de reflexão e absorção do conhecimento gerado é muito importante. Espero que tenhamos três dias de muita discussão, Minas Gerais tem um exemplo de conhecimento de excelência”. 

Pesquisas 

A Chamada 03/2020 foi um edital extra do PPSUS lançado durante a pandemia de covid-19 e teve seus projetos apresentados parcialmente em 2022 e os resultados finais agora em 2023. “Os pesquisadores e coordenadores que participaram desta chamada foram heróis, pois conseguiram executar os projetos dentro do possível em meio a uma pandemia”, parabeniza Flávia Faria, do Departamento de Parcerias Públicas da FAPEMIG

Foram 16 projetos contemplados, sendo que, dentre eles, se destacaram as temáticas da própria covid-19 e algumas enfermidades que acometem o Estado como a Doença de Chagas e os vírus HTLV I e II. As apresentações aconteceram virtualmente pela plataforma Teams, das 9h às 15h. 

O trabalho de pesquisa relacionado à Doença de Chagas abrange a educação ambiental, a vigilância sanitária, bem como a promoção da saúde pública em municípios de localidades rurais. O objetivo central do projeto da pesquisadora Raquel Aparecida Ferreira, tecnologista do grupo de pesquisa Triatomíneos do Instituto de Pesquisa René Rachou (IRR), era reestruturar a vigilância da doença em Minas por meio dos Postos de Informação de Triatomíneos (PITs). Esses postos são alocados em cidades rurais para que a população possa coletar e entregar aos agentes de saúde os insetos suspeitos de serem vetores do agente causador da Doença de Chagas.  

Relacionado à covid, foram apresentados três projetos: o primeiro foi um estudo referente às condições genéticas que poderiam ocasionar as infecções graves pelo SARS-COV-2; o segundo apresentava uma nova tecnologia para o monitoramento e identificação de surtos de infecções e disseminação do vírus por meio de biopsiar de tecidos por RT-QPCR; e o terceiro apresentava uma solução tecnológica com um algoritmo para manejo clínico da covid nos três níveis de atenção à saúde no SUS.  

Quanto ao vírus HTLV, foram apresentados dois projetos que trouxeram métodos diagnósticos para identificação do vírus que pode causar doenças como a leucemia de células T do adulto (ATL) e a mielopatia associada ao HTLV/paraparesia espástica tropical (HAM/TSP). Assim, a primeira pesquisa apresentou um dispositivo para o diagnóstico do vírus HTLV I e II baseado em moléculas recombinantes. O projeto possui um pedido de patente e é uma colaboração entre a FAPEMIG, o Hemominas e a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)

O segundo projeto avalia o desempenho do método FC-Duplex IgG1 para o diagnóstico universal e diferencial da infecção pelo HTLV I e II. A metodologia também gerou um pedido de patente e mostrou-se promissora quanto à estratégia sorológica de segregar as infecções pelos vírus I e II, empregando uma plataforma única para pesquisa de anticorpos IgG1. 

PPSUS 

O PPSUS é um programa inovador que objetiva fomentar a ciência e a tecnologia no âmbito da saúde pública de cada estado. Por meio dele, são desenvolvidas pesquisas para atender as necessidades e reduzir as diferenças regionais. Em Minas, o programa é uma parceria entre a FAPEMIG, o Sistema Único de Saúde (SUS), Ministério da Saúde, CNPq, Governo do Estado de Minas Gerais e a Escola de Saúde Pública do Estado de Minas Gerais (ESP-MG)

O programa, a nível nacional, é coordenado pelo Ministério da Saúde e já possui 23 anos de existência, sendo que a FAPEMIG já é parceira há 20 anos. “São 23 anos consagrando o maior projeto que existe dentro do Departamento de Ciência e Tecnologia (DECIT) do Ministério. Já estamos programando a próxima edição e temos certeza de que temos um ótimo parceiro em Minas Gerais”, destacou Ana Maria Caetano.  

Para ela, o PPSUS é um programa importantíssimo para o Brasil. “O PPSUS é uma das maneiras que temos de criar esse vínculo entre a pesquisa e inovação e a prática em nosso Sistema Único de Saúde que é o maior do mundo. Através dele, conseguimos trazer as agendas do Estado para dentro dos editais para se transformar em uma linha de pesquisa. Queremos fazer o PPSUS em todos os estados federativos para promover a solidariedade cientifica e tecnológica” concluiu. 

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