Institucional
Publicado em 16 de mai. de 2019 · Atualizado em 16 de mai. de 2019 · Leitura: 0 min
por Tatiana Nepomuceno
A retinopatia é uma das complicações mais comuns do diabetes, podendo causar lesões microvasculares na retina e desencadear problemas como glaucoma, hemorragia, isquemia e até cegueira, se não identificada e tratada a tempo. Esta detecção depende do exame anual do fundo de olho, feito por oftalmologista. Ocorre que o acesso a essa avaliação especializada, principalmente no interior do Estado, nem sempre é fácil e o tempo de espera pode ser longo, ocasionando complicações ao paciente. Por este motivo, pesquisadores do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (HC-UFMG), com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG), desenvolveram método que avaliou a viabilidade econômica da aplicação de ferramentas de telesaúde na triagem da retinopatia diabética.

Os resultados foram promissores e, de acordo o coordenador do projeto, Daniel Vítor Vasconcelos, beneficiam tanto a sociedade quanto o poder público, uma vez que além de evitar o transtorno do deslocamento ocasionado pela necessidade de levar o paciente do interior até a capital para a realização do exame, também gera economia para os cofres públicos. “De fato, além da conveniência de um exame mais próximo do domicílio do paciente, evitando longos deslocamentos e inclusive minimizando seu tempo de afastamento de casa e do trabalho, há o efeito do diagnóstico e tratamento a tempo de evitar a perda irreversível da visão. A cegueira tem um custo enorme para a sociedade e para o sistema de saúde. Se conseguíssemos implantar esse rastreamento em todos os Centros de Atenção Especializada e também atender a todos os pacientes diabéticos do Estado (excluindo Belo Horizonte e região metropolitana, em que o deslocamento do paciente é menos oneroso), a economia anual estimada, somente com o transporte do paciente do interior para a capital, seria de cerca de 90 milhões de reais para os cofres públicos.”, explica.

A teleretinografia funciona da seguinte forma: o paciente vai ao centro de referência e faz a retinografia com um técnico treinado para a captura de imagens da retina de pacientes diabéticos do interior do Estado. A mesma é transmitida, via internet, a um especialista membro da Rede de Teleassistência de Minas Gerais, que realiza o atendimento à distância e que envia os resultados  à unidade de saúde, acompanhado de um laudo, em até 48h. “Atualmente possuímos dois Centros de Atenção Especializada (Ceae) em Minas Gerais que operam com este método: um está localizado na cidade de Teófilo Otoni e outro na cidade de Viçosa. Até abril de 2019, emitimos 4.697 laudos nestes dois municípios”, conta Vasconcelos. Ainda, de acordo com pesquisador, a equipe está trabalhando para implantar a tecnologia na cidade de Santo Antônio do Monte, também em solo mineiro. “Estamos negociando a expansão desse serviço para os outros Centros de Especialidade do Estado. E o passo seguinte seria trabalhar na melhoria da rede de atenção a esses pacientes.”, finaliza.

Trabalhar em rede
O Centro de Telessaúde do HC-UFMG foi oficialmente inaugurado em 2005, com apoio da FAPEMIG. No mesmo ano, foi criada a Rede de Teleassistência de Minas Gerais, registrada como uma das redes de pesquisa do Estado, que presta atendimento a mais de 700 municípios mineiros. Desde sua criação, a Rede emitiu mais de 4 milhões de laudos remotos de exames e atendeu mais de 128 mil teleconsultorias, o que representa uma economia de mais de R$ 240 milhões, gerada pela redução de encaminhamentos. O primeiro exame de telediagnóstico implantado foi o eletrocardiograma, mas são também realizados laudos remotos de retinografia, Holter e MAPA (Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial), estes dois últimos também na área da Cardiologia.

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