Pesquisa reaproveita resíduos da pesca para produzir embalagens

Ascom Ufla - 31-10-2019
114

A professora Maria Lúcia Bianchi, da Universidade Federal de Lavras (Ufla), coordena um grupo de pesquisa que também trabalha com a utilização de resíduos da agroindústria. Um dos estudos é da mestra Camila Marra Abras, que utilizou celulose nanofibrilada  de eucalipto, quitosana e óleo essencial de gengibre para produzir embalagens biodegradáveis com propriedades antioxidantes. “É a Química transformando o lixo em diferentes produtos que utilizamos no nosso dia a dia. Neste projeto, utilizamos a quitosana, produzida a partir de resíduos da indústria da pesca, para a preparação de filmes poliméricos que podem ser utilizados para embalagens de alimentos e artigos de higiene pessoal”, explica a professora Maria Lúcia.

O estudo contou com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG) e do CNPq. “Foram preparadas soluções de quitosana em concentrações variadas e, a essas soluções, foram adicionadas diferentes quantidades de celulose nanofibrilada. Para agregar propriedades antioxidantes e antimicrobianas aos filmes, colocamos o óleo essencial de gengibre”, explica Camila.

De acordo com a pesquisadora, foi realizado um estudo da influência das diferentes proporções de quitosana, celulose nanofibrilada e óleo de gengibre nas propriedades dos filmes. Foram feitos testes para analisar propriedades mecânicas, como a resistência;  umidade e a permeabilidade ao vapor de água, entre outros. “Nós observamos que os filmes que tinham as maiores concentrações de celulose nanofibrilada e de óleo de gengibre foram os mais eficientes. Além disso, o teste de biodegradação em solo simulado mostrou que esse filme foi totalmente degradado.” A pesquisa possibilitará a realização de novos estudos e testes para avaliar as aplicações deste material como embalagens nas indústrias de alimentos, farmacêutica e até mesmo biomédica.