Seminário discute projetos que visam recuperar Bacia do Rio Doce

Téo Scalioni - 15-12-2020
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Foi realizado, na última segunda-feira (14), de maneira remota, o Seminário Marco Zero Biodiversidade – Chamada 10/2018 . Organizado pela Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (FAPEMIG), juntamente com a Fundação Renova, o evento contou com a participação de vários atores que estão envolvidos na chamada cujo objetivo é a recuperação da Bacia do Rio Doce. A chamada é fruto de uma parceria entre a FAPEMIG e a própria Fundação Renova para recuperar a área comprometida pelo o desastre da barragem do Fundão em Mariana, em 2015.        

Além de coordenadores de projetos selecionados, também participou do evento o corpo técnico da FAPEMIG. Os pesquisadores apresentaram suas pesquisas em desenvolvimento e a equipe técnica abordou trâmites necessários para a realização dos projetos. Foram discutidas, por exemplo, questões relacionadas à prestação de contas, liberação de recursos, preenchimentos de relatórios, respeito aos cronogramas, dentre outras situações inerentes aos processos relacionados a todas as propostas que terão, em média, cinco anos de duração.     

O seminário começou com a fala do presidente da FAPEMIG, Paulo Sérgio Lacerda  Beirão, que deu as boas-vindas a todos participantes e salientou a relevância da participação de todos para que os trâmites de cada projeto funcionem da melhor forma possível. Beirão salientou a importância de se cumprir as formalidades necessárias para que não haja problemas na hora da conclusão do projeto.  Segundo ele, a FAPEMIG será responsável pelo monitoramento desse grande projeto, na parceria com a Renova que disponibiliza os recursos. “Normalmente, a gente já considera a FAPEMIG exigente em todas as formalidades de nossos projetos, e podemos observar que a Renova tem sido mais exigente ainda”, afirmou.

Para facilitar esse processo, Beirão ressaltou que foi assinado um aditivo no programa para que seja desenvolvido uma plataforma que vai facilitar todas essas formalidades. Segundo ele, o sistema deve tornar o monitoramento mais simples e amigável. “Um instrumento de gestão, no qual gostaríamos de ter o feedback dos coordenadores, para observar os aspectos vantajosos e desvantajosos e que contribuam com sugestões para o melhoramento do sistema”, observou.     

Beirão também falou sobre a relevância da chamada como um todo. Do ponto de vista científico, ela busca auxiliar na compreensão de como um desastre dessa natureza alterou o sistema e a ecologia da região. Para o presidente da FAPEMIG, é muito importante saber como o acidente transformou a dinâmica da biodiversidades de um dos rios mais importantes do Brasil. “Contamos com a colaboração dos cientistas para que os resultados sejam compartilhados o mais cedo possível”, pediu ele.   

Uma bacia rica em biodiversidade 

A diretora executiva da Fundação Renova, Rachael Starling, reforçou a fala do presidente da FAPEMIG para a execução da forma mais ágil e célere possível das pesquisas, trazendo para a sociedade as respostas que ela precisa. Segundo ela, para isso, são necessários o controle e a dedicação para todas as ações previstas. Sobre as formalidades exigidas por parte da Renova, a diretora pensa ser necessária para que se tenha um melhor aproveitamento dos recursos e para que, ao longo do tempo, as respostas sejam dadas.  “Temos um caminho proveitosos para percorrer. Para isso, é extremamente importante que os pesquisadores tragam a público os dados gerados, que sejam considerados válidos e possam ser utilizados para reparar o dano”, acredita.  

Janaína Aparecida batista Aguiar e Leandro Carmo Guimarães, ambos da Câmara Técnica de Biodiversidade (CT-Bio) e representantes do Instituto Estadual de Floresta  ( IEF), reforçaram sobre a biodiversidade aquática do Estado de Minas Gerais. Eles entendem que todos os dados e estudos que serão iniciados são extremamente importantes para a recuperação da bacia. “A bacia do Doce, hoje, é a mais estudada do Brasil. Mesmo assim, não é suficientemente compreendida, pois há muitas lacunas de conhecimento”, aponta Leandro, observando que os projetos irão permitir que a comunidade científica de Minas desenhe os métodos para responder as perguntas. 

Depois das falas de abertura, o corpo técnico da FAPEMIG,  liderado pela gerente de Inovação da FAPEMIG, Cynthia Mendonça Barbosa e pelo gestor da chamada Gabriel Vieira, apresentou os trâmites burocráticos para o andamento dos projetos. “O objetivo aqui é vocês aproveitarem a oportunidade e esclarecerem as dúvidas relacionadas aos processo”, afirmou Cynthia.  Gabriel abordou questões relacionadas aos dados da chamada, ao atendimento do cronograma e às formas de alterações nos processos . A liberação de recurso, os relatórios técnicos e de acompanhamento, assim como a prestação de contas do projeto foram abordados pela equipe de Gerência de Monitoramento e Avaliação.

Apresentação e avaliação das propostas 

Após o intervalo do almoço, os coordenadores dos projetos fizeram uma breve apresentação técnica sobre as pesquisas. Foram eles:  Biochronos: Monitoramento da degradação oculta, biodiversidade, funções e serviços ecossistêmicos na interface terra-água do RioDoce (Geraldo Wilson Fernandes); Avaliação dos impactos do rompimento da Barragem de Fundão, Mariana, MG, na dinâmica espaço-temporal dos processos biogeoquímicos e biota aquática do Rio Doce-MG (José Fernandes Bezeera Neto); Derivadores rastreados por satélite e monitoramento automático de parâmetros ambientais aplicados ao entendimento da contribuição dos afluentes para o restabelecimento do Rio Doce (Arcilan Trevenzoli Assireu ); Biomarcadores celulares e reprodutivos para avaliação e monitoramento da ecotoxidade sobre a fauna de peixes em áreas impactadas pelo rompimento da barragem de Fundão na bacia do Rio Doce (Elizete Rizzo BAzzolli); Impactos do rompimento da Barragem "Fundão" sobre a biotaaquática e estrutura de seus hábitats (Carlos Frankl Sperber).Após cada apresentação, avaliadores tiraram dúvidas, teceram comentários e deram sugestões sobre os projetos.