Pesquisa inédita indica potencial na fruta chichá

Vitor Hugo Silva - 18-02-2020
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Uma pesquisa apoiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG) identificou potenciais funcionais na fruta chichá (Sterculia striata), uma espécie de amendoim mais conhecida como amendoim-de-pau ou amendoim-de-macaco. O estudo, coordenado pela Professora Titular Aposentada, Maria das Graças Lins Brandão, foi desenvolvido pela pesquisadora Sarah Prates, com a colaboração de um grupo de pesquisadores, durante o seu mestrado no Programa de Pós-graduação em Ciência de Alimentos da Faculdade de Farmácia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

 

Realizada entre março de 2016 e abril de 2018, a pesquisa teve como objetivo avaliar o potencial bioativo das amêndoas do chichá. A ideia era aproveitar o fruto como alimento funcional e disponibilizar mais informações e conhecimentos para sociedade.

 

A planta estudada foi coletada na região de Januária, Minas Gerais, área de proteção Ambiental Rio Pandeiros. Já os experimentos foram realizados na própria UFMG. Durante o desenvolvimento do estudo, os pesquisadores encontraram no chichá a presença de rutina, compostos bioativos que estão entre os antioxidantes naturais mais eficazes. “A rutina possui ação oxidante, anti-inflamatórios, antiviral e anticancerígena. Alguns estudos já demonstraram seus efeitos benéficos no tratamento de várias doenças, incluindo hepatotoxicidade, doenças gastrointestinais e diabetes. Estudos em animais a sugerem como um fármaco eficiente no tratamento da isquemia encefálica e da doença inflamatória intestinal”, afirma Sarah.

 

Além da rutina, no óleo extraído da amêndoa do chichá também foi encontrada uma predominância de ácidos graxos insaturados, que ao serem consumidos podem ser convertidos em energia para o corpo humano.

 

Para Sarah Prates a pesquisa é significativa porque além de disponibilizar informações importantes sobre a fruta, que é pouco conhecida, foi possível caracteriza-la como um alimento com potencial funcional. Além disso, pode ser uma maneira de resguardar a planta. “O mais importante deste estudo é poder, através dos resultados alcançados, disponibilizar informações e conhecimento que possam contribuir para a preservação e conservação desta planta. Considerando, principalmente, que é uma planta nativa do nosso país e, infelizmente, está ameaçada de extinção” disse.

 

No entanto, mais estudos devem ser realizados com a fruta e com o seu óleo, para avaliar os efeitos do seu consumo e o impacto nutricional. “Existem alguns estudos realizados com a Sterculia striata, porém este trabalho é inédito, principalmente, em relação aos experimentos de bioacessibilidade que avaliam o que, de fato, fica disponível para absorção no organismo após o consumo do alimento”, pontua.

 

O que é o chichá

Foto: Sarah Prates


Fruta do chichá madura 


O chichá é uma árvore que pode chegar até 20 metros de altura, tendo flores vermelhas. Seus frutos são uma espécie de cápsula verde, que fica vermelha quando madura. Ao amadurecer, esse invólucro se abre e expõe seus frutos comestíveis, que são semelhantes a uma amêndoa de cor preta. 


Foto: Sarah Prates

Amêndoa do chichá em partes, na sequência, semente da Sterculia striata inteira, casca externa, casca intermediaria e amêndoa 


A fruta está distribuída em todas as regiões do Brasil, principalmente na Amazônia, Caatinga, Cerrado e Mata Atlântica e com exceção da região Sul. Segundo a pesquisadora, os moradores da região em que foram coletadas as frutas, relataram consumir a amêndoa in natura e torrada, porém ainda não existe um cultivo agrícola da planta na área.