O mundo na onda das lives durante a pandemia

Téo Scalioni - 24-04-2020
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Uma das principais transformações observadas em tempos de quarentena por causa do coronavírus foi o assombroso crescimento das lives, transmissão ao vivo por plataformas como o Instagram, Youtube ou Facebook. Com conteúdos completamente variados, vão desde dicas para o que fazer com os filhos na quarentena, a cursos de finanças, passando por palestras motivacionais ou aulas de gastronomia. O que chamou muita atenção também foi em relação as apresentações musicais. Artistas de diferentes gêneros, locais ou renomados nacionalmente ou internacionalmente foram para a frente das câmaras gravarem seus shows levando um pouco de alegria e diversão para quem está em casa.

No último sábado, por exemplo, aconteceu o “One World: Together At Home” (“Um Mundo: Juntos em Casa”), festival de lives organizados pela ONG Global Citizen com mais de oito horas de duração simultaneamente em todo mundo. Artista consagrados como Lady Gaga, Paul McCartney, Rolling Stones e Elton John realizaram apresentações diretamente de suas casas. No total, o evento arrecadou cerca  de  US$ 127,9 milhões para Organização Mundial da Saúde (OMS) para combater a Covid-19.

Já no Brasil, as lives que se destacaram foram de alguns cantores sertanejos como Bruno e Marrone, Marília Mendonça e Gustavo Lima que tiveram uma enorme audiência por meio dos seu shows realizado pelas lives. Esse último, por exemplo, conforme o próprio cantor noticiou em seu Instagram, em cinco horas de shows foram cerca de 10 milhões de visualizações e 750 mil acessos na apresentação  realizada diretamente da casa dele. É claro que números dessa magnitude chamam atenção de empresas que observam no novo canal uma excelente oportunidade para divulgar também as suas marcas. Tanto que a própria Ambev, patrocinou o show de Gustavo Lima, Bruno Marrone e do Grupo de Samba Revelação.

A disrupção das lives durante a pandemia

De acordo com professor e especialista em marketing digital, Leandro Camargo, com certeza, as lives estão sendo disruptivas e chamando bem a atenção do mercado. Segundo ele, essa nova onda não deve acabar quando a pandemia do coronavírus terminar. Para ele, pessoas e o próprio mercado descobriram algo transformador, que deve mudar o mercado digital e publicitário. “O mindset está mudando para o digital. As pessoas, com o aprendizado, vão ter uma conexão com o digital muito maior com formas de se divertirem, se informarem e na educação”, acredita.

Para Leandro, que também é proprietário da B8X Agência de Marketing, os números apontados principalmente na lives dos cantores sertanejos foram surpreendentes até mesmo se comparado a TV aberta. “A audiência que Gustavo Lima teve por exemplo, representaria na televisão aproximadamente 15 pontos no Ibope. São números que chamam atenção. Sem falar que as lives ainda ficam gravadas e os acessos continuam mesmo não sendo ao vivo”, observa.

Como ganhar dinheiro

Em relação as formas de monetização de uma live, segundo Leandro são várias. A primeira delas é caso que você seja um influenciador digital e tenha muitos seguidores pode ganhar dinheiro com publicidade. Já o Youtube, caso você tenha um grande número de assinantes em seu canal, ele mesmo comercializa a propaganda no espaço e repassa o valor para o dono do canal. Outra forma, mesmo se você não tenha uma legião alta de seguidores e realizar cursos por meio de lives e cobrar por eles. “Você pode criar um perfil no Instagram com conteúdo gratuito para divulgar seu negócio de forma geral. E por meio do close friends (melhores amigos), que é uma área restrita ou mesmo por grupos de WhasApps fechado, pode  disponibilizar conteúdo o completo de um curso e cobrar por ele”, explica.

Em Belo Horizonte, um dos primeiros artistas a realizar por conta própria uma live foi o músico Paco Fazito, da Banda Meu Rei. Segundo o cantor, o objetivo da live além de levar alegria para a turma que está em casa neste momento difícil, foi trabalhar a solidariedade pois pela live arrecadaram doações para a Santa Casa de Belo Horizonte e Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae).  “A intenção foi de ficar mais próximo das pessoas, fazer um show que você consiga divulgar o trabalho e  pensar também na solidariedade ajudando o próximo”, comenta Paco, reforçando que toda a banda, quanto a equipe técnica adotaram as precaução de segurança de combate ao vírus, como uso de álcool em gel , distanciamento e uso de máscara para quem não estava cantando.

Interação diferente

Sobre a forma diferente de se apresentar, o músico observa que o que mais lhe chamou a atenção foi que mesmo não tendo público, as pessoas interagiram o tempo todo, postando comentários e pedindo músicas. “Foi uma experiência muita satisfatória ver essa interação. Mais de mil pessoas passaram pela live. E basta pensar que para  fazer um show presencial com um público desses tem que ser em um lugar bem grande, pois é muita gente”, acredita ele. Segundo Paco, a live que foi realizada pelo Instagram teve várias repercussões positivas, inclusive com o aumento de seguidores da banda em seu perfil.  Tanto que já se preparam para a realização de uma outra live, só que desta vez também pelo youtube. “A ideia não é ganhar dinheiro e, sim como disse, divulgar a banda e levar alegria para a galera”, reforça o músico. 

Matéria publicada no site Minas Faz Ciência