Fintechs: uma alternativa para crédito durante a pandemia

Téo Scalioni - 05-06-2020
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Não é novidade nenhuma que muitas empresas e pessoas têm passado dificuldades financeiras devido a pandemia. Com estabelecimentos fechado ou semiabertos, a receita caiu drasticamente afetando a vida do empreendedor e do colaborador, esse, se não perdeu o emprego, viu a renda diminuir por um acordo com a própria organização ou pelo fato de trabalhar com comissões em cima de resultados de vendas ou mesmo produção. Uma das saída tem sido a busca por dinheiro disponíveis em bancos. No entanto, alguns empresários têm reclamado que a taxa de juros e a burocracia alta continuam sendo um empecilho para conseguir esse crédito. Tanto que algumas instituições bancárias não emprestam para empresas que já contraíram dívidas ou mesmo para pessoas físicas que estejam com o  nome negativado por deixar de pagar uma conta. 

Diante disso, as fintechs, startups relacionadas ao mercado financeiro, têm sido uma alternativa para se conseguir créditos nesse momento de pandemia, quando empresários e profissionais necessitam de dinheiro rápido e barato para passarem por esse período. Geralmente com juros menores e sem muita exigência burocrática para liberar o crédito, as fintechs que trabalham com empréstimos têm obtido um crescimento na quantidade de dinheiro emprestado ajudando pessoas e organizações a atravessarem esse período. Um exemplo é a fintech mineira Trovato Lending que utiliza um modelo de negócio inovador diretamente com as organizações, principalmente, pequenas e médias empresas, e que teve um aumento exponencial de demanda nesse período de pandemia. 

Segundo Carlos Gustavo Ribeiro de Almeida, Ceo e fundador da Trovato Lending, devido a pandemia, muitas pessoas que tiveram redução na renda, estão precisando de dinheiro e mesmo assim não conseguem um auxílio dos bancos. Por isso, as fintech acabam sendo um meio para realizar esse suporte de forma rápida tão necessária neste momento. “Algumas pessoas, por exemplo, tem o nome sujo por um IPVA que está atrasado ou outra conta que deixou de pagar. Explicamos para ela que é saudável pegar esse dinheiro quitando as dívidas e pagar de 12 a 18 vezes”, afirma Carlo. Ele reforça também a possibilidade da quitação de outras dívidas com juros bem mais altos como alternativa para diminuir os custos. “Se alguém tem um financiamento caro de um carro por exemplo, vale a pena ligar para a financiadora e negociar o valor para a quitação imediata da dívida. Cedemos o crédito para isso com um valor bem mais barato, diminuindo a despesa mensal da pessoa”, observa. 

Carlos acredita que atualmente, devido o crescimento das fintechs, os bancos vão ter que rever os seus modelos de negócio. Para ele, basta analisar que os investimentos dos bancos em tecnologia sempre existiram para a redução do próprio custo e não para melhorar a experiência do cliente. “Se melhorou algo para quem utiliza foi uma coincidência, pois nunca se tratou da atividade fim”, acredita. Segundo Carlos, as fintechs vieram para isso,  resolverem um problema de quem necessita de crédito mais barato e sem burocracia. “Fazendo uma comparação, o juros do cheque especial ou o rotativo do cartão de crédito fica em torno de 25%  a 30% ao mês . Nossa taxa, o teto dela é 4% ao mês, ou seja, de cinco ou seis vezes mais barata do que o banco”, conta

O modelo de negócio da Trovato Lending é bem simples, pois trabalha o crédito consignado privado com linhas de créditos disponíveis exclusivamente para colaboradores assalariados de empresas no qual startup fechou o contrato. Assim, os colaboradores dessas organizações ficam aptos a realizarem o empréstimo no qual o mesmo é descontado diretamente na folha de pagamento. Carlos reforça que a partir do momento em que a empresa do colaborador assina o contrato, ele já fica apto para realizar o empréstimo de forma fácil e rápida. “Basta entrar no aplicativo, fazer a simulação, requerer o empréstimo que no dia seguinte o dinheiro cai em sua conta. Sem burocracia e sem ter que dar garantias como imóvel ou mesmo veículo”, explica Carlos, salientando que a fintech como uma oportunidade a estratégia de trabalhar com pequena e média empresa pelo fato de se tratar de um crédito barato, no qual os bancos não tem interesse de vender de forma massiva pois focam nas grandes organização.       

O salto das fintechs

Para quem não sabe, o termo fintechs vem da união das palavras financial ( financeiro) e e technology (tecnologia). Por isso, são consideradas as startups que buscam inovar nos serviços relacionados ao sistema financeiro. Essas empresas têm crescido e expandido no mundo todo. Um estudo divulgado em abril pela Accenture, consultora de mercado,  mostrou que o investimento global na área de tecnologia financeira teve um salto de 67% no primeiro trimestre de 2020  em relação ao mesmo período do ano passado. Atingiu  a casa de US$ 5,3 bilhões e em locais como Europa e Ásia-Pacífico, esses números chegaram a dobrar no mesmo período.No Brasil não é diferente .Estima-se que no país já existam cerca de 150 fintechs e algumas delas já se transformaram em unicórnios, empresas que ultrapassaram o valor de mercado de US$ 1 bilhão como a Nubank (banco digital) , a Stone (maquininhas de cartão) e a Ebanx (processa pagamentos estrangeiros no Brasil).