Hackaton da NASA divulga finalistas locais

Téo Scalioni - 23-10-2020
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Esta semana foi divulgada a lista com os finalistas regionais da edição do NASA International SpaceApps Challenge 2020, considerado o maior hackaton do mundo e que utiliza dados abertos da Agência Espacial Norte-Americana (NASA). Este ano o evento, que foi 100% online devido a pandemia, ocorreu nos dias 2 e 4 de outubro simultaneamente em 80 países e apenas no Brasil em 20 cidades, dentre elas Belo Horizonte. 

Cada cidade elegeu dois finalistas locais que serão avaliados pelas agências para se classificarem a finalistas globais. Em dezembro será divulgada a lista dos finalistas globais e em janeiro os seis vencedores. Os ganhadores locais de Belo Horizonte foram a equipe Gaia Filius , que ficou em primeiro lugar e Tui Group,  em segundo.

As duas equipes classificadas em BH escolheram desafios diferentes. A Gaia Filius escolheu o desafio da categoria juvenil Sustentar, “Sustentando Nosso Planeta para as Gerações Futuras”, criando uma forma de comunicar a importância da responsabilidade ambiental para pessoas de todas as idades. Desenvolveram o aplicativo GO GAIA, uma rede social para conectar interessados em ajudar o planeta de forma ativa. Por meio de uma competição sustentável com uma série de desafios voltados para ajudar o meio ambiente estimulando ações em prol da natureza divulgando suas experiências com seus amigos participando de um ranking junto a outros usuários.

Já a Tui Group escolheu o desafio “Céu Orbital” da categoria Conectar, buscando melhorar o conhecimento público dos satélites em órbita terrestre, com o objetivo de gerar envolvimento, entusiasmo e exploração do usuário. O time desenvolveu um site que utiliza um programa para o cálculo das órbitas, além de reunir informações sobre satélites e detritos de forma centralizada e interativa com a intenção de ampliar o conhecimento e a consciência sobre os objetos na órbita terrestre de forma didática e divertida, permitindo o cálculo da trajetória dos satélites, feito em MathLab. Esperam que o site possa servir de suporte para o ensino de disciplinas nas áreas das ciências.

Para a  gerente de inovação da FAPEMIG, Cynthia Mendonça Barbosa, que participou como jurada do NASA Space Apps em BH, iniciativas desse tipo são fundamentais para o surgimento de soluções em diversos aspectos, ainda mais em se tratando de desafios internacionais. “São processos que chegam ao Brasil buscando resolver problemas reais de interesse de alguém como a NASA”, afirma Cynthia. Segundo ela, o ideal seria que mais empresas e organizações lançassem mais tarefas e desafios para os outros resolverem. “Isso porque desperta o interesse das pessoas a resolverem problemas, além de engajamento, envolvimento e gerar rede”, acredita.

Sobre os participantes desta edição do NASA Space Apps, Cynthia observou que dentro dos projetos que avaliou, a maioria deles estavam com um nível bem profissional. Alguns aplicativos, por exemplo, trabalharam muitas inovações e ciência e quem melhor defendeu sua ideia teve mais chance. Ela cita como diferencial a metodologia da apresentação dos pitchs, que foi de apenas 30 segundos, no qual a pessoa tem que saber vender bem o seu negócio em um o curto espaço de tempo. “Eu sou suspeita e fico muito empolgada. Gostei de muitos projetos. Tento ser mais justa. Mas valorizo só da pessoa está participando, dando a cara a tapa e defendendo sua ideia. Esse esforço pra mim já mereceria ser recompensado”, orgulha-se.            

SpaceApps 2021

O SpaceApps é conhecido como maior hackathon do mundo (ou das galáxias) usando os dados abertos da NASA e outras agências espaciais como ESA, JAXA, CNES e CSA. Sua próxima edição, NASA International SpaceApps Challenge 2021 será de comemoração aos 10 anos de evento e já tem data marcada para 2 e 3 de outubro de 2021, simultaneamente em mais de 200 localidades, incluindo o Brasil. Serão mais 48h para resolver, de forma colaborativa, desafios para problemas de impacto mundial.

O campeonato internacional foi desenvolvido pela incubadora de inovação da agência espacial americana, NASA e o uso da base de dados das agências espaciais americana, européia e japonesa são um dos principais recursos disponíveis para as equipes. O evento foi executado por líderes locais voluntários de mais de 20 cidades brasileiras que se uniram com a missão de fomentar o empreendedorismo, ciência e inovação aberta e contribuir para a transformação da educação, formando assim a comunidade Space Labs Brazil.  Foram 157 projetos, sendo 80 concluídos e mais de 650 participantes de todas as cidades que participaram da comunidade SpaceLabs Brazil. No mundo foram mais de 26.000 participantes.

Por meio do envolvimento de instituições de ensino, instituições de fomento à inovação e empresas líderes na área de tecnologia e inovação, a comunidade busca facilitar a visibilidade e o acesso a grandes oportunidades mundiais para os talentos brasileiros, além de proporcionar a todos os participantes uma experiência única e transformadora. Criar soluções de impacto, testar hipóteses para problemas que afetam a humanidade é o desafio das equipes que apresentam o projeto para o comitê local e tem a chance de serem avaliados pela banca de experts da NASA. O evento é destinado a estudantes, cientistas, designers, storytellers, engenheiros, físicos, artistas e pessoas movidas pela curiosidade como energia para resolver problemas.