Ciência
Publicado em 06 de fev. de 2018 · Atualizado em 06 de fev. de 2018 · Leitura: 0 min
por Tatiana Nepomuceno

Ah… a maternidade! Momento único e mágico que ocorre na vida da mulher, envolvendo-a em toda a sua totalidade, alterando a sua imagem corporal, psicológica e social. Se tão esperada e planejada para umas, nem tanto para outras. E o que dizer das mães em regime de detenção fechado, que carregam seus filhos durante os 9 meses, alimentam e depois precisam se separar de suas crianças? Como será esta ruptura? É esperada e tranquila? Quais os anseios e dificuldades encontradas? Para responder a estas perguntas, a professora de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas), Ilka Franco Ferrari, com o apoio da FAPEMIG, desenvolveu estudo para acompanhar os filhos e filhas de detentas, que passaram pelo Centro de Referência à Gestante Privada de Liberdade, situado em Vespasiano.

Para isso, o trabalhou traçou o perfil das detentas, a partir de informações como estado civil, família de origem e outros dados registrados em seus prontuários. Em seguida, as mulheres participaram de “conversações” orientadas por métodos psicanalíticos. Dados foram cruzados, análises realizadas e o resultado foi que, ao contrário do que se pensa, muitas mães tinham dificuldades em ficar com seus filhos e mais, para a maioria, o período vivido com as crianças significava “mais um castigo”.

Porém, tal pensamento não significa negação da maternidade. Ocorre que há uma dificuldade, expressa pelas detentas, em ter a responsabilidade absoluta por tudo que acontece com seus bebês. “Quem está fora do presídio tem um alívio. A avó, babá, ou seja, lá quem for. No caso delas, a criança precisa estar junto em tudo, até mesmo para ir ao banheiro”, compara a pesquisadora. Outro exemplo, relatado pelas mães, foi quando a criança adoece. Impossibilitadas de levá-las ao médico para tratamento, elas precisam relatar às agentes penitenciárias o ocorrido e ficam à espera de notícias e da volta de seus filhos. Isto gera extrema angústia, pois justamente em um dos momentos mais delicados para qualquer mãe, são impedidas de exercer seu papel principal: cuidar.

Diante do exposto, o momento de ruptura do laço entre mãe e filho na unidade prisional é considerado um “alívio” para a maioria das mães, mas isto não diminui a dor da separação, em especial, quando as crianças ainda estão em processo de amamentação, como relata Ferrari. “Não se trata apenas do corte com o corpo da mãe, mas com o peito. É a perda de um ambiente mais reduzido, para entrar em um mundo de muitos estímulos”, aponta.

Novas etapas e acompanhamento sistêmico

Mas a pesquisa terá outros desdobramentos. Após as conclusões adquiridas na fase I da pesquisa, o trabalho caminha para a fase II, onde a equipe coordenada por Ferrari irá acompanhar dez egressos da unidade, bem como suas mães, guardiões e professores. O estudo vai avaliar o processo de socialização das crianças, após a saída do centro de referência. As crianças serão observadas no ambiente familiar, na escola e pela Clínica de Psicologia da PUC Minas. A matéria na íntegra está disponível aqui.

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