Ciência
Publicado em 14 de abr. de 2020 · Atualizado em 14 de abr. de 2020 · Leitura: 0 min
por Cedecom UFMG

Marcos Pontes, ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), visita a UFMG ao lado do governador de Minas Romeu Zema e do presidente da FAPEMIG Evaldo Vilela (Foto: Regina Mattos)

Nesta segunda-feira (13), o ministro Marcos Pontes, da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), desembarcou em Belo Horizonte para uma visita a instalações da UFMG diretamente comprometidas com o enfrentamento da pandemia do novo coronavírus. A comitiva também reuniu o secretário de Políticas para Formação e Ações Estratégicas, Marcelo Marcos Morales, o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, o secretário estadual de Saúde, Carlos Eduardo Amaral e o presidente da FAPEMIG, Evaldo Vilela. Eles foram recebidos pela reitora Sandra Regina Goulart Almeida e pelo vice-reitor Alessandro Fernandes Moreira. Essa foi a primeira vez que o ministro e o chefe do executivo mineiro estiveram na UFMG.

Durante entrevista coletiva a jornalistas, realizada no saguão do prédio da Reitoria, o ministro Pontes, o governador Zema e a reitora da UFMG defenderam o isolamento social como estratégia para conter o ritmo de transmissão do novo coronavírus. “Existem prefeitos em Minas Gerais que não estão seguindo corretamente os protocolos de segurança e não têm adotado o isolamento social”, criticou o governador, sem, contudo, indicar a que municipalidades estava se referindo. Zema negou que as aulas nas escolas estudais serão retomadas. Sandra Goulart Almeida enfatizou que o isolamento social é fundamental. “O momento é de ficar em casa, de contribuir para o achatamento da curva de transmissão e evitar a sobrecarga no setor da saúde”, alertou Sandra Goulart Almeida.

O ministro Marcos Pontes declarou que as autoridades do governo federal estão alinhadas e apoiam o isolamento social como uma das maneiras de contribuir para a redução da taxa de transmissão da Covid-19. Mas, para o titular do MCTIC, a principal arma para enfrentar o novo coronavírus está na ciência, na tecnologia e no conhecimento. Para ele, a crise provocada pelo novo coronavírus já deixou uma lição clara. “Quando a gente sair dessa crise, não poderemos simplesmente colocar tudo de lado e dizer que já passou, que acabou. Não, é preciso que nos estruturemos”, declarou. Segundo Marcos Pontes, os investimentos em ciência e tecnologia devem ser feitos de maneira estruturada e permanente, incluindo a formação de pessoas e a manutenção do sistema para que ele possa operar adequadamente.

Mais verbas
Pontes defendeu ainda a necessidade de mais verbas para a ciência e a tecnologia. “O orçamento do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico deve ser descontingenciado”, exemplificou. Ele afirmou que esta medida – suspensão da retenção orçamentária do FNDCT – precisa ser imediata. O ministro destacou também a necessidade de atuação conjunta e integrada das estruturas do governo federal e aproveitou para afastar qualquer possibilidade de fusão do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), do MCTIC, com a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), do MEC, e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). “A Finep não é um banco, é uma instituição que financia projetos e pesquisas”, destacou.

A reitora Sandra Goulart Almeida destacou que a instituição está empenhada na busca por recursos suplementares para projetos. “No momento temos mais de 30 iniciativas voltadas para o enfrentamento do novo coronavírus nas mais diferentes áreas – desde testes diagnósticos, vacinas e medicamentos, passando por estudos matemáticos para a projeção dos cenários de transmissão do vírus e da disponibilidade de leitos, até a produção de máscaras-protetoras e álcool em gel, acolhimento no campo da saúde mental e ações de combate à Covid-19 em periferias”, elencou.

A reitora lembrou que, recentemente, a Sesu [Secretaria de Educação Superior do MEC] liberou mais de R$ 21,5 milhões para a UFMG, mas que outras demandas emergenciais precisam ser contempladas para ampliar o escopo dos projetos. “Somos uma instituição da educação, da ciência, da pesquisa e uma das mais relevantes do país, e nossa missão é servir a sociedade e apoiar o Estado. Acreditamos que somente a ciência e a educação podem derrotar esse vírus contra quem o mundo inteiro está lutando”, enfatizou.

Conhecendo a UFMG
A visita começou pelo Laboratório de Biossegurança, localizado no Instituto de Ciências Biológicas (ICB), onde têm sido realizadas pesquisas e experimentos com agentes bacterianos e virais de risco biológico da classe 3. Esses agentes apresentam alto risco para quem os manipula. O laboratório da UFMG tem-se destacado pelo elevado grau de segurança para os pesquisadores e para a comunidade externa.

Em seguida, Marcos Pontes, Romeu Zema, Sandra Goulart e as demais autoridades e assessores se dirigiram ao Laboratório de Vírus, também no ICB. Criado em 1962, é um dos maiores e mais tradicionais laboratórios do gênero na América Latina. Dispõe de infraestrutura para o estudo de virologia, permitindo a descoberta e a caracterização de agentes virais. As interações entre vírus e hospedeiros também são pesquisadas, contemplando aspectos moleculares, imunológicos, ecológicos e epidemiológicos.

Logo após a visita ao laboratório, a reitora, o governador e o ministro se deslocaram para o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Dengue e Interação Microrganismo-Hospedeiro (INCT Dengue). Criado em 2009 como parte da chamada INCT do MCTIC e do Ministério da Saúde, o laboratório faz parte da Rede de Diagnósticos da UFMG que apoia o estado de Minas Gerais. Tem como propósito gerar conhecimento para lidar com a dengue e outras arboviroses e viroses emergentes, incluindo a Covid-19. A unidade também fica no ICB.

A parada seguinte da visita foi o Parque Tecnológico de Belo Horizonte, o BH-Tec, associação civil de direito privado entre a UFMG e a Finep, de caráter científico, tecnológico, educacional e cultural, sem fins lucrativos. O BH-Tec funciona como um condomínio que abriga empresas dedicadas a investigar e produzir novas tecnologias e centros públicos e privados de pesquisa e desenvolvimento. Lá, a comitiva esteve no CT-Vacinas da UFMG. O governador Romeu Zema e sua comitiva não participaram desta parte da agenda.

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